sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Linha 4, primeiro passo para Alckmin privatizar o metrô

“Há pouco tempo tivemos uma falha no sistema da Linha-3 que fez dois trens se chocarem. Se isso acontecesse na Linha-4, seria uma tragédia”, opina Narciso Soares, do Sindicato dos Metroviários de São Paulo. Enquanto as Linhas 1, 2 e 3 são administradas pelo Metrô (Companhia do Metropolitano de São Paulo), a Linha-4 Amarela funciona no regime de Parceria Público-Privada (PPP) e é gerida pela ViaQuatro, do grupo CCR.

O operador do trem da Linha 3 Vermelha puxou o freio e evitou maiores danos – na Amarela, no entanto, não há operadores. “Para economizar, que é a lógica do setor privado, tiraram o operador. É uma tragédia anunciada”, denuncia Narciso. “A lógica não é melhorar o sistema para andar menos lotado, ao contrário, é superlotar cada vez mais. Para ter um transporte público de qualidade é preciso inverter essa lógica. O transporte não está aí para dar lucro, e sim para atender os interesses da população. Infelizmente, não é isso que acontece no estado de São Paulo nem no resto do Brasil”, completa.

O contrato de concessão da linha previa que o governo estadual seria responsável por 73% do investimento, enquanto o setor privado arcaria com os 27% restantes. Em função dos atrasos na obra (o governo estadual demorou a desapropriar os terrenos, gerando multas) e mudanças no método construtivo (que fez o Metrô pagar uma indenização de 200 milhões de dólares à ViaQuatro), o investimento público alcançou a proporção de 85%. “O interesse público foi deixado de lado para permitir negócios privados em função de um serviço essencial que o estado de São Paulo deveria executar e gerir. A Linha-4 é o primeiro passo para futuras Parcerias Público-Privadas”, denuncia o deputado estadual Simão Pedro (PT).

Ele questiona as causas do acidente ocorrido nas obras da Estação Pinheiros em 2007, quando sete pessoas morreram soterradas após a abertura de uma cratera. Para o parlamentar, o buraco de 80 metros de diâmetro foi consequência da mudança do método de construção, feita para apressar a obra. A falta de supervisão da equipe do Metrô sobre a construção também teria sido um fator que contribuiu para o acontecimento. “As empresas privadas eram as responsáveis pela construção. Elas querem fazer as obras em menos tempo, visando o lucro.”

“Por que o metrô vem sendo sucateado? A construção do metrô de São Paulo é a mais cara do mundo porque tem um esquema de desvio de dinheiro, de pagamento de propina. Há um acerto entre várias empresas, um cartel. Um consorciamento para fatiar as licitações”, denuncia Simão Pedro. Ele explica também como funciona o esquema adotado pela concessionária para supervalorizar as reformas dos trens: estas chegariam a custar 85% do preço de um trem novo, valor extremamente alto se a venda da sucata for levada em consideração. Há também uma nova licitação para a reforma dos freios e “aranhas” (suportes dos trens), cujo preço equivale a 150% do valor dos equipamentos novos.

Wagner Fajardo Pereira, do Sindicato dos Metroviários, explica que a companhia estatal que seria criada pelo governo estadual com a função de recolher o dinheiro oriundo das tarifas do Metrô nunca saiu do papel. A missão foi repassada para a SPTrans, que já administrava as finanças do sistema de ônibus. A empresa repassa o dinheiro das tarifas do Bilhete Único priorizando, nesta ordem, o sistema de ônibus, o Metrô controlado pela iniciativa privada (Linha-4) e a CPTM (Companhia Paulista de Transporte Metropolitano). Logo, o Metrô estatal arca com os custos das tarifas gratuitas de idosos, deficientes, policiais militares e a meia-tarifa dos estudantes, o que gera um menor repasse para as linhas estatais. “Existe um grande repasse de dinheiro público para garantir o lucro das empresas privadas. A propensão é aumentar ainda mais: aumentar as tarifas e diminuir a qualidade”, alerta Narciso Soares.

O deputado federal Ivan Valente (Psol) analisa: “É uma combinação desastrosa e o povo é quem paga o preço. Há uma comunhão com as grandes empreiteiras. O PSDB tem uma lógica de mercado privatizante, atrelada à especulação imobiliária. O transporte é um direito dos cidadãos e um dever do Estado. A administração tem de caminhar para algo transformador e revolucionário”.


Fonte: Linha Direta - http://virou.gr/UTGlfN

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

PINHEIRINHO SE VINGA DE ALCKMIN E NAHAS

Saiu no Estadão: Em São José dos Campos, ‘Pinheirinho’ vence luta com ‘mensalão’
PINHEIRINHO SE VINGA  DE ALCKMIN E NAHAS
Mulheres e crianças fogem de suas casas incendiadas durante reintegração de posse do Pinheirinho

O navegante do Blog conversa afiada Donizeti enviou o seguinte e-mail:

Prezado Paulo Henrique Amorim – Conversa Afiada

Segue no arquivo anexo foto emblemática da desocupação do Pinheirinho e no texto abaixo o que ocorreu na eleiçao na cidade de São José dos Campos, governada por muitos anos pelo PSDB.
 

O povo deu o recado aos tucanos, depois do show de arrogância, prepotência e truculência do governo estadual do tucano Alckmin com a destruição do Pinheirinho e seu povo pobre humilhado, fato que foi denunciado até na Organização dos Estados Americanos – OEA. 


Os tucanos colheram em SJC nesta eleição o resultado da sua insensibilidade social e  política violenta.
 

O candidato do PT Carlinhos de Almeida venceu os tucanos em primeiro turno, sem discussão e deram o recado para o PSDB na cidade: RUA
 

EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS, ‘PINHEIRINHO’ VENCE LUTA COM ‘MENSALÃO’



Enquanto cabos eleitorais tucanos e candidatos a vereador ligam Almeida ao “partido do mensalão”, o próprio Blanco fez apenas referências indiretas ao caso.

Ricardo Brandt – O Estado de S.Paulo

Na batalha entre dois episódios de alcance nacional – o mensalão, explorado pelo PSDB, e a reintegração do Pinheirinho, pelo PT -, quem ficou à frente, em São José dos Campos, foi o petista Carlinhos Almeida: ele teve 56% das preferências, segundo o Ibope, mais que o dobro dos 27% do tucano Alexandre Blanco.
 

Enquanto cabos eleitorais tucanos e candidatos a vereador ligam Almeida ao “partido do mensalão”, o próprio Blanco fez apenas referências indiretas ao caso. “Minha responsabilidade é manter esse padrão de governos éticos, transparentes e eficientes na gestão pública”, defendeu-se.
 

De seu lado, os petistas exploraram a reintegração de posse da favela Pinheirinho, em janeiro deste ano, marcada por ação policial e pessoas feridas, para atacar o governo do Estado e a administração do tucano Eduardo Cury, aliado de Blanco. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ministros de Dilma gravaram vídeos de apoio a Carlinhos.

Abraço

Antonio Donizeti da Costa – SP

sábado, 6 de outubro de 2012

Resultado da Enquete do Blog a Prefeitura de São Paulo

Fizemos uma pesquisa no Blog  entre os leitores durante o ultimo mês e apresentou o resultado abaixo:
1º)Fernando Haddad 50%
2º)Celso Russomano 19%
3º) José Serra 14%
4º)Carlos Giannazi 11%
5º)Gabriel Chalita 3%
6º)Miguel Manso 1%

Os demais não atingem 1% da intenção de votos
OBS:ENQUETE (NÃO se trata de pesquisa eleitoral, prevista no art. 33 da Lei nº 9.504/97, e sim de mero levantamento de opiniões, sem controle de amostra, o qual não utiliza método científico para a sua realização, dependendo, apenas, da participação espontânea do interessado).
Continuem votando no fim 
Para quem está em dúvida ainda Veja Aqui sobre os Principais candidatos:
Serra http://geraldoalckminpsdb.blogspot.com.br/search/label/Jos%C3%A9%20Serra e AQUI
Haddad: http://pensenovotv.com.br/
Celso Russomano http://celsorussomanno.com.br/
Gabriel Chalita http://www.chalita.com.br/
Carlos Giannazi http://www.carlosgiannazi.com.br/

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Na TV, filha do Serra agradeceu ao pai... ter aprendido a usar paraísos fiscais descritos na Privataria Tucana?

Na TV, filha do Serra agradeceu ao pai... ter aprendido a usar paraísos fiscais descritos na Privataria Tucana?
No último dia da campanha na TV de José Serra, sua filha apareceu dizendo que o tucano estimulou e apoiou o que ela aprendeu.

Daí se conclui que o tucano é o grande incentivador da filha manejar com destreza movimentações de dinheiro no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas, conforme descrito no livro "A Privataria Tucana".

Veja o que a filha dele aprendeu
http://geraldoalckminpsdb.blogspot.com.br/2011/05/empresa-da-filha-do-jose-serra-cresceu.html
http://geraldoalckminpsdb.blogspot.com.br/2011/12/privataria-tucana-jose-serra-diz-que.html

Fonte http://www.dihitt.com.br/barra/na-tv-filha-do-serra-agradeceu-ao-pai-ter-aprendido-a-usar-paraisos-fiscais-descritos-na-privataria-tucana

sábado, 29 de setembro de 2012

Piso do Alckmin afunda sala de aula em Cubatão

Em Cubatão, sala de aula é parcialmente “engolida” por cratera em escola estadual

Gustavo Delacorte Do UOL, em Santos
Uma sala de aula foi parcialmente “engolida” por uma cratera de aproximadamente sete metros de comprimento e um metro de altura, em Cubatão (56 km de São Paulo). O problema, que se tornou público nesta sexta-feira (28), aconteceu por volta das 23 horas do último dia 19, na Escola Estadual Lincoln Feliciano, no bairro Vila Nova, e até agora não foi solucionado.
Piso do Alckmin afunda sala de aula
Fonte:Flit paralisante

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Tucano Ortiz acusado de de superfaturamento para campanha do filho, Alckmin nao sabe denada?

Ex-prefeito de Taubaté, Ortiz pede afastamento de órgão após denúncia de superfaturamento em compra de mochilas escolares

FAUSTO MACEDO E BRUNO BOGHOSSIAN - O Estado de S.Paulo
Alvo de ação civil movida pelo Ministério Público Estadual, que pede sua saída em caráter liminar e bloqueio de todos os seus bens por envolvimento em suposto esquema de fraude em licitação para compra de mochilas escolares, o presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), José Bernardo Ortiz, anunciou ontem que se afastou do cargo.
Ortiz sustenta que pediu "afastamento provisório pelo tempo necessário à apuração dos fatos pela Corregedoria-Geral da Administração". Segundo a FDE, vinculada à Secretaria de Estado da Saúde, o pedido de afastamento "aceito pelo governador Geraldo Alckmin, foi feito para assegurar que não haja a menor suspeita de interferência nos esclarecimentos prestados".
Mas entre pessoas próximas a ele a informação predominante é que o governador estaria insatisfeito com notícias de que Ortiz, nos últimos meses, vinha se dedicando intensamente à campanha do filho, José Bernardo Ortiz Junior, candidato tucano à prefeitura de Taubaté (Vale do Paraíba) - Alckmin apoia o filho de Ortiz, que também é acusado no processo sobre a aquisição de 3,5 milhões de mochilas ao preço global de R$ 34,9 milhões.
Desde terça-feira da semana passada, o presidente da FDE, oficialmente, estava em licença médica. O Ministério Público constatou que estava se empenhando exclusivamente à jornada eleitoral do filho. A Promotoria do Patrimônio Público enviou ofício aos promotores eleitorais em Taubaté para "providências cabíveis (contra pai e filho) tendo em vista abuso de poder econômico e uso de funcionários públicos na campanha".
Segundo a promotoria, Ortiz Junior "agiu livremente junto a fornecedores da FDE, visando à obtenção de recursos ilegais". Aos autos da ação estão anexadas cópias de e-mails entre o candidato e Djalma da Silva Santos, ex-gerente da empresa Diana Paolucci, uma das contratadas.
Nas correspondências, segundo a promotoria, fica evidenciada a ingerência de Ortiz Jr. na inclusão de cláusulas no edital da concorrência - expediente que permitiu a contratação da Paolucci. O lobby teria rendido a Ortiz Junior R$ 1,74 milhão. "Em razão do acerto, a Diana Paolucci obteve informações privilegiadas e foram inseridas cláusulas restritivas no edital."
Ortiz atacou a bancada do PT que representou contra ele ao MP. "São caluniosas as acusações. Tudo foi feito com sordidez e meticuloso cálculo eleitoral. Embora o pregão das mochilas tenha ocorrido em agosto de 2011, os promotores só decidiram interpor a ação mais de um ano depois, a dez dias das eleições municipais."
Ortiz afirma que a promotoria não o chamou para depor. Desafia o MP a mover ações contra as Prefeituras de Diadema, São Bernardo do Campo e Guarulhos, todas sob administração petista, que, segundo ele, adquiriram mochilas a preços três vezes superiores aos que a FDE pagou.
"O Ministério Público não age de acordo com as conveniências eleitorais, a ação objetivou exatamente evitar desvio de dinheiro público em razão de uma eleição", reagiu o promotor Silvio Antônio Marques.
Agora vejam o Vídeo do Governador Alckmin dando seu Apoio ao candidato Ortiz junior ,filho de Bernado Ortiz que esta sendo financiado a campanha com dinheiro do Estado

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Blog do Pannunzio é censurado pelo governador de São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin PSDB

Blog do Pannunzio é censurado pelo governador de São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin
Até blogueiros conservadores e que representam a velha mídia são intimidados pelos poderosos.
O jornalista Fábio Pannunzio, da Rede Bandeirantes de Televisão, inclusive como âncora do importante programa Canal Livre, que tinha o Blog do Pannunzio, foi intimidado e censurado pelo Antonio Ferreira Pinto que é Secretário de Segurança Pública do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e fechou o blog (clique aqui).
É um absurdo que alguns políticos poderesos se achem os donos do mundo e façam esse tipo de intimidação.
Ficou famosa em todo o Brasil a tentativa de extermínio que o atual prefeito de Curitiba, Luciano Ducci (PSB), tentou com o Blog do Tarso, ao exigir e conseguir que o TRE/PR tenha aplicado uma multa de R$ 106 mil ao Blog do Tarso, em decorrência de duas simples enquetes.
Por isso há algum tempo os blogueiros progressistas do Brasil e do Paraná pensam e estudam a criação de uma entidade de apoio aos blogueiros, contra tentativas de limitação da liberdade de expressão.
Inclusive o Blog do Tarso abriu campanha para arrecadar fundos para o pagamento da multa de R$ 106 mil e, caso consiga anular a multa no TSE, o dinheiro arrecadado será destinado a criação da entidade de defesa jurídico dos blogueiros.(Para Ajudar Clique AQUI)
Não concordo com a maioria das posições do Pannunzio, mas exijo que ele tenha a liberdade de se expressar, sem intimidações por parte dos poderosos e censuras financeiras.
Força Pannunzio!
Fonte:http://blogdotarso.com/2012/09/26/blog-do-pannunzio-e-calado-pelo-governador-de-sao-paulo-o-tucano-geraldo-alckmin/

jornalista Fábio Pannunzio

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

As relações de Cachoeira com o governo paulista

Aos poucos, começam a vir à tona as relações da quadrilha de Cachoeira (através da empreiteira Delta) com o governo paulista.
A Delta, que fazia parte do consórcio responsável pela obra da Nova Marginal Tietê - principal vitrine de Serra na disputa presidencial de 2010 - subcontratava outras empresas para fazer as obras. O controle contábil destas operações era quase nenhum, dando margem à famosa "lavagem de dinheiro".
Só com a quebra do sigilo bancário deste consórcio e das subcontratadas é que será possível analisar o que realmente houve por trás destas operações.
Os personagens são controvertidos: Paulo Preto (acusado de desviar recursos de campanha do Serra e flagrado na Operação Castelo de Areia por comandar esquema de propinas em obras públicas), Delson Amador (flagrado na Operação Castelo de Areia por comandar esquema de propinas em obras públicas) e Heraldo Puccini Neto (responsável pela Delta no Sudeste e foragido da Justiça).
Apenas a grande mídia não se interessa em apurar.

Cachoeira e suas digitais em Sampa

(por Leandro Fortes, na Carta Capital)
Os técnicos da CPI do Cachoeira acabam de concluir um levantamento completo de todos os contratos firmados em São Paulo, governo estadual e prefeitura da capital, com a Delta Construções, ligada ao esquema criminoso comandado pelo bicheiro. É coisa de 1,2 bilhão de reais. O resultado, além de revelador sobre as relações dos governos do PSDB com a empresa-mãe da quadrilha de Cachoeira, trouxe à tona uma suspeita sobre os bastidores dos negócios milionários fechados na gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD), sob a influência do senador cassado Demóstenes Torres, do DEM de Goiás.
Uma interceptação telefônica realizada pela Polícia Federal durante a Operação Monte Carlo captou um diálogo entre Cachoeira e Cláudio Abreu, diretor da Delta na Região Centro-Oeste, onde ambos discutem contratos da empreiteira com a prefeitura de São Paulo. No grampo, de 31 de janeiro deste ano, o bicheiro pergunta a Abreu o resultado de uma conversa do ex-presidente da Delta Fernando Cavendish com Kassab sobre um contrato ainda não identificado. O diretor da construtora faz uma revelação: em consideração ao então senador Demóstenes Torres, o prefeito de São Paulo teria triplicado os valores do tal contrato. A conversa é a seguinte, retirado do áudio ao qual CartaCapital teve acesso:
Carlinhos Cachoeira: Outra coisa, Cláudio, você falou pro Fernando (Cavendish) do negócio lá do Kassab?
Cláudio Abreu: Ih, cara… Eu vou encontrar com ele mais tarde, eu vou voltar lá pra dar um retorno pra ele. Mas fala aí, o que é o negócio lá? Do contrato, né? Ele fez as coisas lá, né? Até pelo professor (Demóstenes Torres), né?
Cachoeira: Ele (Kassab) falou que triplicou o contrato por ele (Demóstenes).
De acordo com o levantamento feito pela CPI, a prefeitura de São Paulo tem três contratos com a Delta, firmados entre 2004 e 2012, num valor total de 307,6 milhões de reais. Um da Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb), de 93,7 milhões de reais. Um de urbanização da favela de Paraisópolis, via Secretaria de Habitação, de 15,4 milhões de reais. E um da São Paulo Transporte S.A. (SPTrans), de 12,2 milhões de reais. Pela data do grampo da PF, não é possível detectar exatamente qual dos contratos teria sido triplicado, pois todos abarcam também o ano fiscal de 2012. Segundo Emerson Figueiredo, assessor de imprensa da prefeitura, Kassab “desconhece o diálogo, seus supostos autores e considera improcedente o seu conteúdo”.
As relações entre a Delta e o governo estadual tratam de cifras maiores, cerca de 943 milhões de reais, em valores corrigidos, referentes a contratos firmados durante os governos tucanos de José Serra (765 milhões de reais) e Geraldo Alckmin (178 milhões de reais), entre 2002 e 2012. Os negócios foram firmados a partir de demandas de cinco estatais: Desenvolvimento Rodoviário (Dersa), Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee), Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A principal obra contratada pelo governo estadual à Delta, na gestão de Alckmin, é o chamado Consórcio Nova Tietê, de ampliação da avenida marginal ao Rio Tietê, no valor de 149,9 milhões de reais. O contrato valeu de 22 de junho de 2009 a 10 de abril de 2012. Ao analisar a transferência de recursos do consórcio para a conta da Delta, os técnicos da CPI concluíram que as empresas envolvidas na obra não possuem controle de compensação de créditos e débitos. Dessa forma, uma empresa pode ter subcontratado a outra e pago o valor total pelo serviço. Por esse artifício, a diferença de eventual desvio de dinheiro público, por meio de superfaturamento ou pela falsa notificação de entrega real do serviço, é devolvida ao subcontratante, sem fiscalização alguma.
A Delta pode ter acertado um esquema de lavagem de dinheiro por meio de subterfúgios burocráticos. Além disso, segundo a avaliação da CPI, as empresas subcontratadas pela construtora possuem entre si contratos mútuos de diferentes obras, serviços ou negócios (lícitos ou ilícitos) e fazem pagamentos entre si sem compensar valores por meio de controle contábil (oficial ou não).
As informações da CPI a respeito dos contratos estaduais coincidem com um levantamento anterior feito pela repórter Conceição Lemes, do site Viomundo, com base em dados do blog Transparência São Paulo, especializado em análise de contas públicas. A partir dessas informações, foi possível detectar que o contrato da Dersa, referente às obras no Tietê (415 milhões de reais) foi assinado por Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, diretor de Engenharia do órgão até abril de 2010, e pelo presidente da estatal, Delson Amador, que acumulava a superintendência do DER.
Intimamente ligado aos tucanos, Paulo Preto foi apontado como arrecadador de campanha do PSDB e chegou a ser acusado de sumir com 4 milhões de reais supostamente destinados à campanha presidencial de Serra em 2010. Os nomes dele e de Amador aparecem ainda em outra investigação da Polícia Federal, a Operação Castelo de Areia, na qual executivos da construtora Camargo Corrêa foram acusados de comandar um esquema de propinas em obras públicas.
Em 1997, durante a presidência do tucano Andrea Matarazzo, Delson Amador virou diretor da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), depois privatizada. Era responsável pela fiscalização de obras tocadas pela Camargo Corrêa, como a Usina de Porto Primavera e a Ponte Pauliceia, construída sobre o Rio Paraná para ligar os municípios de Pauliceia, em São Paulo, e Brasilândia, em Mato Grosso do Sul. Amador foi chefe de gabinete de Matarazzo na subprefeitura da Sé, na capital paulista.
Uma certidão emitida pela Junta Comercial de São Paulo revela que Heraldo Puccini Neto, diretor da Delta para São Paulo e o Sul do Brasil, aparece como representante legal do Consórcio Nova Tietê. Escutas realizadas pela PF demonstram que Puccini é um dos interlocutores mais próximos de Carlinhos Cachoeira. Documentos da Operação Monte Carlo o apontam como um dos elementos da quadrilha que preparavam editais para ganhar licitações públicas.