terça-feira, 9 de julho de 2013

Cartel em licitações do Metrô e CPTM de Alckmin : Polícia Federal investiga

Suspeita é de que 13 empresas se reuniam para combinar previamente resultado e faturar de 10% a 20% além do preço correto
Denuncia Cartel em licitações do Metrô e CPTM de Alckmin: Polícia Federal investiga


A Polícia Federal (PF) e a Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) investigam suposta formação de cartel em concorrências em ao menos cinco licitações em São Paulo, entre Companhia do Metropolitano (Metrô) e Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e para manutenção do metrô de Brasília. A suspeita é de que empresas se reuniam para combinar previamente o resultado das licitações e, assim, faturar de 10% a 20% além do preço correto.

Como parte das investigações, a PF cumpriu na quinta-feira, 4, mandados de busca e apreensão em 13 empresas. As ações foram em Brasília, São Paulo, Hortolândia, no interior paulista, e em Diadema, no ABC. De acordo com o Cade, as buscas foram autorizadas judicialmente por existirem indícios consistentes da prática do crime de conluio.

Delação

A investigação teve início com um acordo de leniência, uma espécie de "delação premiada", por meio do qual um dos participantes do suposto cartel denunciou a prática. Em troca, receberia imunidade administrativa e criminal.

"Temos indícios de uma série de serviços em que as empresas combinavam quem seria o vencedor. Essas empresas definiam quem ia ganhar a licitação e dividiam a subcontratação. Um exemplo: a licitação tinha vários objetos, como implementação da linha, manutenção do pátio de manobras e fornecimento de trens. Cada uma ficava com um serviço", disse o superintendente-geral do Cade, Carlos Ragazzo. "Era a ideia de fazer um ‘mercado de compensação’ (todos ganhavam). O objeto do cartel, nesses casos, é você frustrar o valor menor, cobrar um preço mais caro e o Estado pagar."

No metrô paulista, uma das suspeitas é na Linha 2-Verde. Os indícios de fraude estão em contratos para implementação de sistemas operacionais entre as Estações Ana Rosa e Alto do Ipiranga, além de instalação de sistemas complementares entre Ana Rosa e Vila Madalena.

Desde 2010, o Estado promete trocar o sistema de sinalização dos trens por um mais moderno, chamado CBTC, que deve diminuir os intervalos entre as composições e reduzir a superlotação. A instalação do serviço ainda não tem prazo para ser concluída.

Linha 5

Há suspeitas também em relação à Linha 5-Lilás, obra que já foi paralisada pela Justiça por causa da suspeita de conluio: em outubro de 2010, o resultado da licitação foi revelado pelo jornal Folha de São Paulo antes de o processo ser concluído. "Agora, há a implementação de praticamente 10 quilômetros de linha, mais fornecimento de trens e instalação de novas estações sendo investigadas", observa Ragazzo.

A investigação também apura indícios de fraude em três licitações para modernização da CPTM, que incluem, além da compra de trens, modernização de carros e fornecimento de serviços. O Estado prevê, só para este ano, gasto de R$ 2,9 bilhões na empresa - a maior parte em obras de modernização das linhas.

Fonte:Linha direta

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Governador Alckmin esqueceu sua promessa de campanha e, mesmo congelando os preços por um ano, as tarifas ainda são muito altas

Na campanha eleitoral de 2010, Geraldo Alckmin, então candidato do PSDB ao governo de São Paulo, prometeu que iria revisar o preço dos pedágios paulistas, que são os mais caros do Brasil. Já em abril deste ano o governo paulista baixaria a tarifa entre 10 a 20%. Isto custaria aproximadamente de R$ 6 bilhões a 12 bilhões, o que poderia levar a prorrogação do prazo do contrato e há um contrato eterno, com altas taxas de lucro para as concessionárias em detrimento do bolso do cidadão paulista.

Alckmin esqueceu a sua promessa e resolveu congelar os preços por um ano, mas manteve as tarifas muito altas. Além do mais, para bancar o custo de aproximadamente R$ 500 milhões, o governador cortou em R$ 130 milhões os recursos para a Artesp, a cobrança do chamado eixo suspenso de caminhões, utilizar os créditos que o governo estadual tem referente a obras atrasadas, e por último, a redução da receita de concessão, ônus fixo, a ser pago pelo governo estadual.

A receita de pedágio em 2011 chegou a R$ 6,8 bilhões e no ano passado foi de R$ 7,66 bilhões, ou seja, teve um crescimento de 12% de 2012, o que representa quase o dobro da inflação do período. Se tomarmos de 2010 a 2012, a receita cresceu 26,7% contra uma inflação de 14%, mostrando que talvez as concessionárias podem ter crescimento de sua receita mesmo com o congelamento da tarifa.

Obras vão atrasar ainda mais

O governo do Estado ao utilizar créditos sobre obras atrasadas para pagar às concessionárias a defasagem sobre o aumento congelado prejudica os moradores de muitas cidades, como a região entre Vargem Grande e Sorocaba, que espera há 11 anos pelas obras de duplicação da rodovia Raposo Tavares, que deveria ter sido feita em 2012, e que chegam a mais R$ 250 milhões.

Lucro das concessionárias subiu média de 66%

O lucro das concessionárias rodoviárias subiu de 2010 para 2012, em média, 66%, pulando de R4 963 milhões para R$ 1,6 bilhão. Já os investimentos, considerando as novas e antigas empresas do setor, cresceram 19%, ou seja, cresceram abaixo do valor arrecadado e por isso, em 2010 representava 24% da receita e agora em 2012 somente 22,6%, o que representa R4 120 milhões a menos.

Quanto ao lucro líquido há duas situações distintas.

As concessionárias antigas (os contratos são principalmente de 1998 a 2000), que já passaram da fase de perdas dos primeiros cinco anos, quando os encargos são maiores. Integram esse grupo Autoban, Tebe, Viaoeste,Via Norte, Ecovias, Autovias, entre outras.

E as concessionárias novas, que passaram a operar após 2008. Por exemplo, Ecopistas, que administra a Ayrton Senna e a Carvalho Pinto, Rodoanel e Auto Raposo Tavares.
As novas concessionárias, por estarem começando seus serviços, amargaram prejuízo de R$ 245 milhões em 2011 e R$ 124 milhões em 2012, ou seja, tiveram uma queda de 50% no seu déficit.

Já as antigas concessionárias – que são a imensa maioria — superaram um ano de crise econômica com um crescimento do lucro líquido em 38% frente a 2010, passando R$ 1,24 bilhão em 2010 para a R$ 1,72 bilhão.

Desde que começaram a operar, o lucro líquido total das antigas concessionárias chegou a R$ 7,7 bilhões, capitaneados pela Autoban (R$ 2,27 bilhões), Ecovias (R$ 1,43 bilhão) e Via Oeste (R$ 986 milhões).

O maior crescimento do lucro líquido, de 2010 a 2012, ocorreu na Triângulo do Sol (+146%) e na Viaoeste (+ 57%).

A relação entre o patrimônio e o lucro líquido (indica o grau de rentabilidade das empresas) mostra que em 2010 ela chegou a 38% e em 2011 pulou para 54% e no ano passado chegou a 58%.

No mercado em geral, uma relação de 20% é fantástica. A melhor relação é a Viaoeste (96%) da Autoban (93%), Ecovias (47%), Triângulo do Sol (65%), Renovias (64%) e Centrovias (62%).

Investimentos em rodovias caem

Se o lucro das antigas concessionárias vai bem, os investimentos realizados nelas vai mal. Em 2009, foram gastos com novas construções R$ 684 milhões. Em 2010, essas despesas caíram R$ 646 milhões, em 2012, chegaram a R$ 456 milhões, representando um corte de R$ 190 milhões (-29,4%).

As maiores quedas de investimentos ocorreram na Autoban no valor R4 251 milhões (64%) e na Viaoeste no valor de R$ 70 milhões (70%), na Centrovias (93%), Auto Raposo Tavares (24%) e Rota das Bandeiras com menos R$ 197 milhões (-58%). Já a Ecovias elevou os investimentos em 70%. (fonte: Ass. de Finanças e Orçamento da Bancada do PT na Assembleia Legislativa de SP)

Manifestantes reivindicam redução do preço do pedágio

Nesta quarta-feira (3/7), ocorreu o terceiro protesto de moradores do entorno da Rodovia Zeferino Vaz (SP-332) contra o preço do pedágio cobrado entre as cidades de Paulínia e Cosmópolis.

Os manifestantes reivindicam a redução do preço do pedágio, que atualmente custa R$ 6,20 para carro comum e R$ 3,10 para motocicleta, informou a concessionária.

É o terceiro protesto desde o dia 28 de junho. Na última sexta-feira (28/6), os manifestantes destruíram objetos de sinalização e atearam fogo em pneus colocados nas pistas. Na segunda-feira (1º/7) ocorreu outro protesto na mesma região. (com informações da Agência Brasil)

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Autoritarismo: 'Quem destruiu pedágios será preso', ameaça Alckmin

Governador afirma que a polícia está investigando ação 'criminosa' de manifestantes em rodovia de Cosmópolis

SÃO PAULO - O governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou nesta quarta-feira, 3, que mandará prender os manifestantes que atearam fogo e depredaram oito cabines de pedágio em Cosmópolis nesta manhã. "Isso é uma ação criminosa. A polícia já está investigando e serão todos presos." Na sexta-feira, 28, um grupo já havia destruído placas e cabines na mesma rodovia.
Alckmin disse que a Secretaria Estadual de Segurança Pública enviou dois ônibus com policiais militares para evitar novos protestos violentos na região. "Temos feito permanentemente (reuniões com caminhoneiros). Democracia tem que ser colaborativa. De outro lado não é possível permitir destruição de patrimônio público e privado."
O valor do pedágio não será reduzido, um dos pedidos dos caminhoneiros, já que o governo do Estado determinou a suspensão do reajuste na semana passada. Com relação aos bloqueios feitos por motoristas de caminhão em rodovias do Estado na segunda-feira, 1, Alckmin lembrou que conseguiu, na Justiça, uma liminar para proibir este tipo de manifestação.
"Bloqueios (em rodovias) não só prejudicam a economia como podem levar a acidentes graves", disse o governador. De acordo com a ordem judicial, quem resolver bloquear uma rodovia ou os seus acessos será multado em R$ 20 mil por hora. Além disso, poderá ter o caminhão guinchado.

 

segunda-feira, 1 de julho de 2013

APÓS PROTESTOS, APROVAÇÃO DE ALCKMIN CAI

Em São Paulo, a aprovação de Alckmin caiu 14 pontos no intervalo de três semanas.

Todos os dados são da pesquisa Datafolha finalizada na sexta-feira passada.

Os 52% de avaliação positiva do tucano em 7 de junho, pouco antes do início dos protestos, foram reduzidos para 38% na pesquisa recente.

Os paulistas também deram uma nota ao governador Geraldo Alckmin. Em março, a média foi de 6,4; no começo de junho ficou 6,3; e na última pesquisa recuou para 5,7.

Na semana do auge dos protestos, Alckmin foi criticado pelo comportamento da Polícia Militar, que num primeiro momento agiu com violência durante passeatas e depois, diante das críticas, teria reduzido o rigor no combate ao vandalismo.

O Estado também administra tarifas dos trens e do metrô, que também subiram, mas, mediante a pressão das ruas, acabaram tendo o reajuste cancelado.

APÓS PROTESTOS, APROVAÇÃO DE ALCKMIN CAI

domingo, 30 de junho de 2013

Alckmin cria mais factóides, enquanto os trens não andam...

Com o estardalhaço que lhe é habitual e a generosa cobertura das redes de TV em praticamente todos os seus telejornais, o governador tucano de São Paulo, Geraldo Alckmin, anunciou nesta 6ª feira (ontem), um pacote de cortes em gastos públicos. As medidas vão da venda do helicóptero usado por ele (e que um jornal diz que estava obsoleto e, por ser muito antigo, gastando muito) à extinção de cargos comissionados (já vagos). Passando, atentem bem, pelo fechamento de uma secretaria de Estado que ele mesmo criou dois anos atrás, e de órgãos públicos.

O foguetório com que Alckmin lança esses seus projetos e obras só não pode continuar e ser repetido depois, ao longo do tempo, porque a maioria dos programas e obras que ele anuncia não sai do papel. Ninguém sabe, ninguém viu, não se sabe onde estão.

O governador anunciou seu pacote de austeridade na manhã de ontem. A noite uma falha parou a circulação de trens em uma linha do metrô de São Paulo por 40 minutos - na noite da mesma 6ª feira. A paralisação ocorreu na Linha 2-Verde (Vila Prudente - Vila Madalena) do metrô.

Segundo a empresa, o problema começou por volta das 19h40 em um "equipamento de via" próximo à estação Paraíso. A falha, segundo a Companhia do Metropolitano, foi sanada 40 minutos depois, mas prejudicou a circulação de trens entre as estações Chácara Klabin e Brigadeiro até às 20h22. O metrô ainda não detalhou que tipo de falha ocorreu e o que a teria provocado.

Quer dizer, pela manhã, temos no Palácio dos Bandeirantes demagogia pura. À noite, o metrô registrando as habituais panes de sempre que estão chegando, em média, a duas ou três vezes por semana, seja no metrô, seja na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) que serve os subúrbios da capital e Grande São Paulo. Investir na manutenção, melhoria e ampliação desses sistemas, Alckmin não investe, garantem os especialistas. Só anuncia.  

Governador Alckmin corta R$ 355 milhões, mas vende 600 terrenos a R$ 900 milhões

Enquanto governador anuncia 'corte fiscal' de 0,07% do Orçamento, tucanos votam projeto que aliena até o Ibirapuera. CUT e Passe Livre dizem que problema é de transparência, e não de gastos
 
São Paulo – No mesmo dia em que se vale de pronunciamento para anunciar cortes de R$ 355,5 milhões que incluem fechamento de secretaria, fusões e venda de veículos, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), pede que a Assembleia Legislativa aprove um projeto de lei que vende 600 terrenos a R$ 900 milhões – incluindo o local onde fica o Ginásio do Ibirapuera, na zona sul da capital. Ao mesmo tempo, o tucano investe R$ 226 milhões em publicidade só neste ano, totalizando quase R$ 2,5 bilhões nos últimos dez anos de administração do PSDB.
O governador culpou a revogação do aumento de tarifas de trens e metrô, anunciado no dia 19 após forte mobilização popular, pela necessidade de cortar de outras fontes, embora conte com ao menos R$ 12 bilhões em caixa e tenha deixado todos os anos de executar parte do orçamento estadual, que só em 2013 prevê R$ 173 bilhões em despesas.
Foi a mesma posição defendida pelo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), ao voltar atrás na decisão de elevar o preço da passagem de ônibus. De lá para cá, o petista cancelou a licitação do sistema de transporte público e prometeu abrir as planilhas de gastos do setor, como exigido pelo Movimento Passe Livre (MPL), organizador das manifestações que resultaram na revogação.
Mayara Vivian, militante do MPL, considera que o governador erra ao indicar que a revogação do aumento é mera questão de remanejamento orçamentário. “É uma questão de prioridade. A gente mostrou dados de que se investia muito mais em transporte individual do que em transporte público. Então era só uma questão de se inverter prioridades, se vai fazer Ponte Estaiada ou se vai fazer corredor de ônibus. E, por outro lado, cortar é cortar o lucro do empresário, que ninguém sabe qual é.”
O vice-presidente da CUT de São Paulo, Douglas Izzo, vai no mesmo caminho ao pedir que Alckmin exponha à população os contratos do transporte público. “Tem muitos recursos em que o governo tem dificuldade na aplicação até para investimento. São várias obras paradas e ele não consegue colocar essas obras para andar e utilizar os recursos previstos anualmente. Não tem necessidade de fazer esses ajustes.”
Os cortes anunciados hoje, chamados pelo governador de “pacote de ajuste fiscal”, preveem uma redução de custos de R$ 129,5 milhões este ano, o equivalente a 0,07% do Orçamento, e de R$ 226 milhões em 2014. Entre as ações está a extinção da Secretaria de Desenvolvimento Metropolitano, criada pelo próprio Alckmin em 1º de janeiro de 2011. "A gente pode ter uma secretaria a menos sem nenhum prejuízo para a população", disse o governador, durante entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, sem explicar por que abriu a estrutura que agora extingue.
“A secretaria que ele está fechando foi criada para acomodar pessoas da base governista”, critica o deputado Carlos Giannazi (Psol). “Dos 94 deputados, no mínimo 66 são da base do governo e ele negocia cargos, distribui secretarias. Tem que alimentar a base. O que ele fez hoje é só pró-forma para imprensa.”
Outra das medidas anunciadas pelo governo estadual é a fusão de três autarquias:  Centro de Estudos e Pesquisas de Administração Municipal (Cepam), Fundação do Desenvolvimento Administrativo (Fundap) e Fundação Seade. O Seade funciona com este nome desde 1978, mas é herança de uma estrutura criada ainda no século 19 para garantir a formulação de pesquisas e relatórios fundamentais para o planejamento de ações governamentais. “A Fundação Seade é importante para quem tem de buscar dados econômicos e sociais do estado de São Paulo. A gente lamenta e espera que essa fusão não venha acompanhada de rebaixamento das condições de trabalho dos funcionários dessas três fundações”, diz Izzo, da CUT.
O pacote inclui também a redução da frota de veículos, o que, segundo Alckmin, provocará economia de R$ 3,1 milhões ao ano, acrescidos de R$ 6,5 milhões devido à redução no aluguel de veículos. A venda de um helicóptero resultará em corte de R$ 4,5 milhões ao ano. Outras fontes serão cortes de água, luz, combustível e telefonia. "Com isso nós não afetaremos um centavo os investimentos do governo que são necessários para poder gerar mais emprego e melhorar os serviços públicos", argumenta o tucano.
No mesmo dia, a base aliada ao governador na Assembleia prepara a votação do Projeto de Lei 650, de 2012, que autoriza a venda de até 600 imóveis para garantir a aplicação do Programa de Parcerias Público-Privadas. Trata-se de uma tentativa, na visão do Executivo, de viabilizar investimentos no metrô, em trens e em rodovias, em um total de R$ 45 bilhões. “É uma contradição enorme. Vamos votar hoje uma Lei de Diretrizes do Orçamento antissocial que não investe o suficiente na educação, saúde. O Alckmin faz isso para inglês ver, para a opinião pública. Para fazer marketing”, afirma Giannazi. “É um procedimento administrativo para mostrar que está impondo a moralidade, a austeridade. É uma perfumaria.”
As bancadas do Psol, do PT e do PSD tentaram barrar a apreciação do texto e cobraram do governador a realização de audiências públicas para debater o tema, mas não tiveram sucesso. Para a oposição ao Palácio dos Bandeirantes, a aprovação equivale a passar um cheque em branco ao governo para dispor de prédios e terrenos públicos de alto valor monetário, sem que sejam vendidos pelo montante que realmente valem.

Investimentos

Embora diga que os cortes visam a não prejudicar os investimentos previstos para este ano, a realidade da execução orçamentária contraria o tucano. No metrô, por exemplo, em 2011 e 2012 havia previsão de destinar R$ 9,3 bilhões tanto em melhorias como em expansão do sistema, mas apenas R$ 3,4 bilhões foram gastos, menos de 40% do total.
Em modernização e capacitação das linhas já existentes, o governo também destinou menos do que o orçamento previa. Por exemplo, a linha 3-Vermelha, que liga Itaquera, no extremo leste, à Barra Funda, na zona oeste, e que em horários de pico é a mais superlotada, deveria ter recebido investimentos de R$ 484 milhões, mas o governo conseguiu aplicar R$ 384 milhões.
A linha 1-Azul, a mais antiga, inaugurada nos anos 1970, teria recebido R$ 552 milhões se o orçado em 2011 e 2012 fosse aplicado integralmente, mas o total investido foi de R$ 382 milhões. Na linha 2-Verde, a diferença entre orçado e realizado foi a menor. Eram previstos R$ 135 milhões e foram investidos R$ 131 milhões. E a linha 5-Lilás, que já previa o menor montante em investimento somados os dois anos de Geraldo Alckmin, R$ 8,2 milhões, recebeu pouco mais da metade, R$ 4,8 milhões.
Em educação, novamente o que se nota é uma aplicação inconstante. Estudo feito pela liderança do PT na Assembleia mostra que as obras de expansão da rede física escolar, por exemplo, caíram um quarto, de R$ 1,002 bilhão, em 2012, para R$ 751 milhões em 2013. A redução é de R$ 251,2 milhões.
Em aperfeiçoamento dos profissionais do ensino fundamental e médio, em relação ao ano passado, o orçamento em vigor registrou queda de 15,34% no primeiro (de R$ 71,4 milhões para R$ 60,4) e 25,8% no segundo, que diminuiu de R$ 52,9 milhões para R$ 39,2 milhões.

O Programa Ler e Escrever, lançado em 2007 na gestão de José Serra (PSDB) para promover a melhoria do ensino em toda a rede estadual, com ações incluindo apoio aos professores e distribuição de materiais pedagógicos e outros subsídios, teve recursos e número de alunos beneficiados reduzidos. Na peça orçamentária de 2012, eram 681.763 alunos, com verbas de R$ 85,9 milhões. Em 2013, os números caíram para 661.731 (2,9%) e R$ 65 milhões (24,3%), respectivamente.

O programa de alimentação escolar apresenta redução dos recursos (de R$ 368 milhões para R$ 336 milhões), enquanto o número de alunos a ser alcançado aumentou de 2.140.622 para 2.208.489, o que pode representar a diminuição da qualidade nutricional oferecida aos alunos, segundo o estudo.

O programa Escola da Família, criado na primeira gestão de Alckmin, que previa o funcionamento das escolas em fins de semana para atividades das comunidades onde se localizam, foi reduzido pela metade no governo de José Serra (2007-2010) e, no segundo mandato de Alckmin, permanece estagnado. Em 2012, eram 2.390 escolas participantes do programa, número que permanece igual este ano. Os recursos, porém, aumentaram de R$ 103,5 milhões para 119,3 milhões.

sábado, 29 de junho de 2013

EM SP, PSDB usa estatais para turbinar salários de filiados

Secretários, assessores e colaboradores do governo são conselheiros de estatais mesmo sem relação profissional com a área

 

O governo do Estado de São Paulo tem usado os cargos a que tem direito nos conselhos de administração de empresas estatais para abrigar filiados do PSDB e quadros ligados ao partido. Os honorários pagos com recursos das empresas ou do erário estadual servem como complemento salarial para secretários, assessores e colaboradores do Palácio dos Bandeirantes. A lista de conselheiros das estatais paulistas revela ainda que, em diversos casos, não há nenhuma relação entre a formação profissional dos contemplados e a área de atuação das empresas.

Há um cineasta no conselho da Dersa (estatal do setor rodoviário), uma ex-diretora de orquestra na Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) e uma psicóloga e ex-diretora da Febem no Porto de São Sebastião. Há ainda jornalista do Palácio dos Bandeirantes participando de reuniões técnicas de planejamento metropolitano.

De 136 nomes de conselheiros avaliados pelo jornal O Estado de S. Paulo, em 65 foi possível identificar algum tipo de ligação com o PSDB ou com o primeiro escalão dos governos José Serra ou Geraldo Alckmin.

Os salários dos servidores paulistas não podem, em tese, ultrapassar o do governador, que é de cerca de R$ 18,7 mil. Muitos conselheiros admitem, informalmente, que os honorários pagos pelas empresas são uma maneira de complementar os salários do serviço público e torná-los mais atraentes em relação aos da iniciativa privada.

Os conselheiros recebem remuneração pela participação em reuniões - em geral, uma por mês. Os pagamentos mensais estão entre R$ 3.500 e R$ 4.500 - fora o 13º salário e os bônus, pagos em alguns casos.

Resposta

O governo estadual e pessoas contempladas com cargos em conselhos de administração de estatais negam a existência de apadrinhamento político e afirmam que o critério para a escolha é o da competência técnica. Em relação ao fato de estatais terem conselheiros com formação profissional de áreas distintas daquela em que a empresa atua, o governo afirma que a diversidade é um fator positivo.

"A composição dos conselhos de administração leva em conta, além das competências técnicas e experiências individuais dos seus membros, a representação de diferentes setores de governo, de forma a propiciar o ajuste da visão setorial com as diretrizes mais amplas de investimentos e prioridades da administração", afirma nota da assessoria do Palácio dos Bandeirantes.

"É necessário ter entre os integrantes (dos conselhos) quadros capazes de permitir a integração e a comunicação das ações das empresas no âmbito das diretrizes de investimentos e prioridades do governo do Estado", prossegue a nota. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo  via IG

quarta-feira, 26 de junho de 2013

No ritmo atual, SP levaria 172 anos para ter metrô como o de Londres

Ritmo médio de expansão anual do metrô de SP tem sido bem inferior ao do de Londres em 150 anos
Ritmo médio de expansão anual do metrô de SP de Alckmin tem sido bem inferior ao do de Londres em 150 anos

Rogerio Wassermann

O metrô de São Paulo, o mais antigo do Brasil, precisaria de mais 172 anos, seguindo a média de expansão anual desde sua inauguração, para chegar à extensão atual do metrô de Londres, o mais antigo do mundo, que completou 150 anos nesta semana.
O cálculo foi feito pela BBC Brasil com base nos dados de extensão atual dos sistemas e dos anos de existência de cada um. O sistema da capital paulista, inaugurado em 1974, tem hoje 74,3 quilômetros de extensão - numa média de expansão de 1,91 quilômetro por ano. O metrô de Londres, em operação desde janeiro de 1863, tem uma expansão média de 2,68 quilômetros por ano.
Se esse ritmo de expansão do metrô paulistano fosse mantido ao longo de 150 anos a partir de sua inauguração, a rede chegaria a uma extensão total de 286 quilômetros, ou 71% da extensão atingida pelo metrô londrino no mesmo período de tempo.
A maioria dos outros sistemas de metrô brasileiros tem um quadro ainda pior do que o de São Paulo.
O único sistema com ritmo médio de expansão mais acelerado do que o de Londres é o de Brasília, inaugurado em 2001 e que conta atualmente com 42,4 quilômetros de extensão. Nesse período, o metrô se expandiu a um ritmo de 3,53 quilômetros por ano e precisaria de apenas mais 102 anos para chegar aos 402 quilômetros atuais do metrô de Londres.
Segundo os cálculos feitos pela BBC Brasil, o metrô do Rio de Janeiro precisaria de mais 300 anos para chegar à extensão atual do metrô de Londres, o de Recife precisaria de 257 anos, o de Porto Alegre, 305 anos, o de Belo Horizonte, 358 anos, e o de Teresina, 641 anos.

Questões técnicas

Metrô Subway de Londres, o mais antigo do mundo, completou 150 anos nesta semana
Metrô de Londres, o mais antigo do mundo, completou 150 anos nesta semana
A comparação não levou em consideração o tempo de construção dos sistemas antes da inauguração - o de Brasília, por exemplo, ficou em obras por nove anos antes da abertura ao público e teve sua inauguração prevista adiada várias vezes.
Também não foram consideradas outras questões técnicas como a dificuldade de construção em cada terreno, exigências legais e ambientais de cada local que podem atrasar ou acelerar as obras e as realidades de cada cidade em relação a população, área e necessidades de transporte.
Os dados comparados pela BBC Brasil indicam ainda uma diferença no ritmo de expansão se for considerado o número de estações abertas desde a inauguração da rede. O metrô de Londres tem um total de 270 estações - uma média de 1,8 estação aberta por ano de existência.
O metrô de São Paulo, com 64 estações, teve 1,64 estação aberta a cada ano - o segundo maior ritmo de abertura de estações entre os metrôs brasileiros, atrás somente do de Brasília, com duas estações aberta por ano de existência.
O metrô do Rio de Janeiro abriu em média 1,03 estação por ano, o de Recife abriu 1 estação por ano, o de Porto Alegre 0,71 estação por ano, o de Belo Horizonte abriu 0,70 estação por ano e o de Teresina, que tem apenas nove estações, abriu 0,38 estação a cada ano de existência.

Comparação global

Inaugurado em 1995, metrô 地铁 地鐵 de Xangai, na China, tem maior média mundial de expansão anual
Inaugurado em 1995, metrô de Xangai, na China, tem maior média mundial de expansão anual. O mau desempenho do desenvolvimento dos sistemas de metrô brasileiros fica ainda mais evidente quando eles são comparados em uma lista de todas as redes de metrô em funcionamento no mundo. Para a comparação, foram descartados os sistemas inaugurados há menos de dez anos, para reduzir os riscos de desvios estatísticos.
A lista compilada pela BBC Brasil indica que o metrô de Xangai, na China, inaugurado em 1995, é o que tem o maior ritmo de expansão média do mundo, com 24,3 quilômetros e 16,2 estações inaugurados a cada ano.
O sistema de Xangai, com 437 quilômetros de extensão, já ultrapassou a extensão do metrô de Londres e levou apenas 16,6 anos desde sua abertura para atingir o tamanho da rede da capital britânica.
Inaugurado em 2002, o metrô da capital da Índia, Nova Déli, tem a segunda maior média de expansão mundial, com uma média de 17,6 quilômetros abertos por ano. Em menos de 11 anos, o metrô de Nova Déli já tem mais que o dobro da extensão do metrô de São Paulo, com 193 quilômetros de linhas no total.
O metrô de Seul, na Coreia do Sul, foi inaugurado no mesmo ano que o de São Paulo - 1974 -, mas sua expansão média em seus quase 39 anos de existência é a terceira maior do mundo, com 14,33 quilômetros abertos a cada ano. Com isso, a cidade tem hoje a maior rede do mundo, com 558,9 quilômetros de extensão.
Em seu ritmo médio de expansão desde a inauguração, o metrô de São Paulo ainda precisaria de mais 254 anos para chegar à extensão atingida pelo metrô de Seul em menos de quatro décadas. Mesmo a rede de Brasília, que tem a maior média de expansão entre os sistemas brasileiros, precisaria ainda de mais 146 anos para se igualar à rede atual da capital sul-coreana.
Entre os sistemas de metrô em países latino-americanos, o da Cidade do México, inaugurado em 1969, é o de maior extensão, com 226 quilômetros de linhas no total e o décimo maior ritmo de expansão do mundo, com 5,14 quilômetros a mais em média por ano.
Mas a comparação indica ainda que a expansão das redes de metrô é irregular. O sistema mais antigo da América Latina, em Buenos Aires, que completa neste ano seu centenário, tem hoje apenas 48,5 quilômetros de extensão, com um ritmo de expansão médio de 0,68 quilômetro por ano.