Oposição afirma que governistas contestam delações e escutas da Operação Alba Branca para proteger colegas citados no esquema
Do Estadão
SÃO PAULO - Deputados da base de Geraldo Alckmin (PSDB) na
Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) querem que a CPI da Merenda
considere nulas as provas obtidas pela polícia na Operação Alba Branca
contra a organização criminosa que desviou dinheiro da alimentação
escolar. A estratégia é impedir que delações premiadas, documentos e
escutas telefônicas reunidas nas investigações sejam usados na comissão
para questionar a conduta de parlamentares governistas citados como
beneficiários do esquema.
Na sessão da CPI de ontem, integrantes da base do governo
atacaram os delegados da Polícia Civil que iniciaram em Bebedouro, no
interior paulista, as investigações sobre a máfia. Para a oposição, após
meses de negociação apenas para abrir a CPI, a alegação de que as
provas podem ser anuladas na Justiça tem o objetivo de encerrar as
apurações no Legislativo.
Foto: Felipe Rau/Estadão
Parlamentares
do PSDB, PMDB e PTB questionaram os delegados chamados pela CPI para
explicar as denúncias surgidas no âmbito da Operação Alba Branca
Entre os deputados citados como beneficiários do esquema está o
presidente da Assembleia, Fernando Capez (PSDB). “Essa é uma estratégia
inócua para desqualificar a investigação e transformar o Capez e o
governo em vítimas dos delegados. Podem querer anular o processo, mas as
provas existem. O cheque para o assessor do Capez existe, assim como a
fraude nos contratos”, disse o deputado Alencar Santana (PT).
A investigação, iniciada em junho de 2015, apura um esquema de
superfaturamento e pagamento de propinas em contratos da Cooperativa
Orgânica Agrícola Familiar (Coaf) para fornecimento de suco de laranja
com o governo estadual e prefeituras paulistas. Só com a Secretaria
Estadual da Educação foram três contratos, que somam R$ 13,5 milhões.
Os parlamentares governistas alegaram que os delegados sabiam
desde o início que os recursos pagos à Coaf eram do Programa Nacional de
Alimentação Escolar e, por isso, deveriam ter encaminhado o inquérito
para a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, o que só foi
feito há dois meses. “É muito estranho que tenham seguido com a
investigação, sabendo que não era competência deles”, disse o deputado
Roque Barbieri (PTB). Ele também indagou se eles haviam investigado
políticos citados como beneficiários do esquema e com foro
privilegiado.
“Só no fim das investigações tomamos conhecimento de que os
recursos saíam de um fundo federal mesmo. E por isso o processo foi
remetido para a Procuradoria e para a PF”, explicou o delegado Mario
José Gonçalves, do 1.º DP de Bebedouro, onde funciona a Coaf. Ainda
segundo ele, “nenhum deputado ou agente com foro privilegiado foi
investigado”.
Além de Capez, os deputados estaduais Luiz Carlos Gondim (SD) e
Fernando Cury (PPS) e os federais Baleia Rossi (PMDB), Duarte Nogueira
(PSDB) e Nelson Marquezelli (PTB) foram citados como beneficiários de
propina paga pela Coaf. Todos negam.
Os delegados também foram pressionados a responder sobre supostas
denúncias de abuso de autoridade e ameaças a presos pela Alba Branca
com o objetivo de “forçar” uma delação e direcionar as investigações. O
delegado seccional de Bebedouro, José Eduardo Vasconcelos, disse que
todos os depoimentos da Alba Branca foram gravados em vídeo.
Bate-boca. Mais exaltado, o deputado Barros
Munhoz (PSDB) acusou os delegados de mentir. “Isso aqui é uma farsa que
esses três delegados estão promovendo. Os senhores estão prevaricando
até hoje com desculpas pueris”, disse. “Se for para continuar ouvindo
esse tipo de impropério, a gente vai sair”, respondeu o delegado
Vasconcelos. “Quem não vai ficar aqui sou eu, porque senão vou vomitar”,
rebateu Munhoz, antes de se retirar. Pouco tempo depois, às 13h50, a
sessão da CPI acabou por falta de quórum. Após o término, o presidente
da CPI, Marcos Zerbini (PSDB), pediu desculpas aos delegados.
Antes, a CPI ouviu o corregedor-geral do Estado, Ivan Agostinho.
Ele disse que o governo abriu processo administrativo contra Luiz
Roberto dos Santos, o “Moita”, e Dione Morais Pavan. Ex-chefe de
gabinete da Casa Civil de Alckmin, Moita foi flagrado em grampo
telefônico da Alba Branca em conversas com membros da Coaf – direto do
Palácio dos Bandeirantes.
Segundo as investigações, ele fez tráfico de influência para
beneficiar a quadrilha. Já Dione, da Secretaria da Educação, teria
perdido um documento usado para justificar um aditivo contratual à Coaf.
Para o deputado Alencar Santana (PT), o corregedor “agiu como
promotor contra a Coaf e como advogado de defesa em relação a Capez e ao
governo”. Durante a sessão, ele apresentou uma carne estragada achada
por um aluno no lixo da Escola Estadual Marta Teresinha Rosa, em Mauá.
“É a merenda que estão dando aos alunos”, disse.
A Secretaria da Educação informou que os estudantes não
consumiram a carne estragada. O alimento foi distribuído pela empresa à
escola e estava na validade. “Após a direção identificar um odor não
característico, o produto foi descartado.”
Cobertura. Deputados da oposição criticaram o
presidente da CPI da Merenda, Marcos Zerbini (PSDB), porque a sessão não
foi transmitida pela TV Alesp. “É mais uma tentativa de restrição e
blindagem dessa CPI”, apontou Alencar Santana (PT). “Neste momento, o
que de mais importante está acontecendo nesta Casa é essa comissão”,
completou.
Zerbini afirmou que é praxe na Casa não transmitir CPIs pela TV da Assembleia – exceto se for solicitado por algum parlamentar.
Outro ponto polêmico foi o fato de estudantes terem sido impedidos de
entrar no plenário para acompanhar a CPI. “É censura prévia”, atacou
João Paulo Rillo (PT). Os estudantes protestaram do lado de fora durante
quase toda a sessão. Zerbini disse que não havia espaço para todos, e
senhas foram distribuídas para quem chegou primeiro para poder ocupar a
galeria. “Quero deixar claro que esta CPI está sendo transmitida pela
internet e também no plenário Paulo Kobayashi”, disse.
CPI da Merenda ‘poupa’ políticos citados em esquema de depor Presidente
da Assembleia Legislativa, Fernando Capez (PSDB), e outros cinco
deputados ficam de
fora da lista de convocados feita pelo relator da comissão
O relator da CPI da Merenda na Assembleia Legislativa de São Paulo
(Alesp), deputado Estevam Galvão (DEM), excluiu os parlamentares
paulistas suspeitos de envolvimento no esquema de desvio de dinheiro da
alimentação escolar no Estado da lista de depoentes da comissão, que
retoma os trabalhos nesta quarta-feira, 3, após um mês de recesso.
Entre os “poupados” pela CPI está o presidente da Alesp, Fernando Capez (PSDB), acusado por dois delatores da Operação Alba Branca de ter
recebido propina em contratos da Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar
(Coaf) com prefeituras e com a Secretaria Estadual da Educação do
governo Geraldo Alckmin (PSDB). Capez nega.
Aliado dos tucanos, Galvão divulgou nesta terça-feira, 2, o plano de
trabalho da CPI no qual lista 16 pessoas que devem ser convidadas ou
convocadas a depor. Além de Capez, também ficaram fora da relação de
depoentes os deputados estaduais Luiz Carlos Gondim (SD) e Fernando Cury
(PPS), e os deputados federais Baleia Rossi (PMDB), Duarte Nogueira (PSDB) e Nelson Marquezelli (PTB), todos citados nas investigações e que
também negam as acusações.
O roteiro será colocado em votação nesta quarta na CPI, onde oito dos
nove integrantes são da base aliada de Alckmin, incluindo o presidente,
Marcos Zerbini (PSDB). “É a prova material da blindagem que a CPI quer
fazer ao presidente Capez, que é citado diversas vezes e que tem
assessores seus envolvidos nesse escândalo”, criticou Alencar Santana
(PT), único deputado da oposição na comissão.
Somente depois serão ouvidos os ex-integrantes da Coaf e lobistas presos
pela Operação Alba Branca no início deste ano e que delataram os
pagamentos de propina aos demais. “Não tem lógica ouvir primeiro quem
está sendo acusado daquele que o acusa. Esse roteiro foi feito única e
exclusivamente para favorecer a defesa dos acusados e prejudicar a
investigação da CPI”, disse Santana.
O relator Estevam Galvão rebate as críticas dizendo que Capez ainda não
será convocado porque “o nome dele ainda não foi citado oficialmente em
nenhum lugar a não ser na imprensa”. Segundo ele, “já está previsto que
(Capez) será convocado” após recebimento do inquérito da Alba Branca.
Galvão disse ainda que ouvir os acusados antes pode “dar mais
instrumentos” para a CPI. “Mas isso não é uma coisa inflexível”,
afirmou. Estadão
Ministério Público Estadual de São Paulo poderia investigar se, por
intermédio da Sabesp, o governador tucano estaria repetindo em SP o que o
governador mineiro Eduardo Azeredo (PSDB) fez com a Cemig
Alckmin e as águas do volume morto. Crise hídrica não afetou a irrigação da mídia pela publicidade da Sabesp
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) é a maior estatal paulista, sob comando do governador Geraldo Alckmin (PSDB).
A empresa presta serviço público essencial, com a missão de levar água,
recolher e tratar o esgoto dos domicílios do estado de São Paulo.
Onde a Sabesp atua tem o monopólio, sob forma de área de
concessão. Por isso, não disputa mercado, e não precisava fazer
propaganda como se vendesse refrigerante.
Mas está fazendo uma escandalosa propaganda em jornais, sites,
emissoras de TV e rádio. Não só da própria Sabesp, mas também do governo
de São Paulo.
O Ministério Público Eleitoral entrou com uma representação contra a
empresa e o seu presidente, Jerson Kelman, com objetivo de suspender as
propagandas institucionais que vem realizando. Determinou ainda
pagamento de multa. O Ministério Público afirmou que as inserções na
internet e no rádio contrariam a Lei Geral das Eleições, que proíbe a
publicidade de qualquer órgão da administração direta ou indireta no
período de três meses antes da eleição.
O promotor José Carlos Bonilha cita, na representação, veículos como
Jovem Pan e UOL, que levam ao ar as campanhas pagas pela empresa. O
Ministério Público pediu, inclusive, as cópias das gravações exibidas
durante a programação da emissora de rádio. Ele alegou que a conduta é
vedada a partir de 2 de julho do ano de eleição municipal.
Alckmin não é candidato. Mas apoia candidato, de seu partido, à
prefeitura de São Paulo. Tem também candidatos de seu partido ou
apoiados por ele nos outros 644 municípios do estado. Os resultados de
outubro poderão ter peso decisivo na ambição presidencial do governador
paulista. A blindagem dos meios de comunicação em relação a denúncias de
corrupção não investigadas e a problemas não resolvidos pelos governos
tucanos, no poder nos últimos 21 anos, também é importante.
No caso da capital paulista, a Sabesp tem contrato com a prefeitura
para a prestação dos serviços de abastecimento de água e de esgotamento
sanitário por 30 anos. E como 2016 é um ano eleitoral, é vedado
aos órgãos públicos fazer propaganda, ainda que institucional e que não
mencione partido ou político, no período citado.
Outro ponto levantado pelo Ministério Público é o de que mesmo nos
casos em que a publicidade é permitida no período eleitoral (como nas
campanhas de prevenção a doenças, por exemplo, chamadas de utilidade
pública) ela deve ser aprovada previamente pela Justiça Eleitoral, o que
não ocorreu com a Sabesp.
A promotoria apontou ainda a suspeita de improbidade administrativa e
abuso de autoridade por parte da Sabesp e seus representantes e pediu
que seja encaminhada uma cópia da representação à Promotoria de Defesa
do Patrimônio Público e Social da Capital para que adote providências em
relação ao caso.
Mas o juiz eleitoral Sidney da Silva Braga julgou ontem (27)
improcedente a representação do Ministério Público Eleitoral. Para o
juiz, como a empresa atua no âmbito do estado de São Paulo, ela não pode
ser proibida de fazer publicidade institucional durante o período das
eleições municipais (...) “sendo certo, ainda, que o fato de um dos
cinco diretores da Sabesp ser filiado a um partido político (que não é o
partido do prefeito) não modifica a análise supra”, concluiu o juiz.
Se o juiz eleitoral ignorou a representação do Ministério Público
Eleitoral, o Ministério Público Estadual de São Paulo bem que poderia
abrir procedimento para investigar a fundo o que há por trás de uma
“simples propaganda” do governador tucano, pois há fortes indícios de
financiamento fraudulento de campanha eleitoral.
Entre 1993 e 2014, as empresas brasileiras podiam fazer doações para
campanhas eleitorais. O limite legal era 2% do faturamento bruto da
empresa no ano anterior à eleição. O beneficiário podia tanto ser o
candidato, quanto o partido político, que transferia o recurso para os
candidatos. Mas as doações empresariais foram totalmente proibidas a
partir deste ano, por decisão do Supremo Tribunal Federal.
O STF fez o que o Congresso não fez. Acatou ação da Ordem dos
Advogados do Brasil decidindo pela inconstitucionalidade do dinheiro
empresarial, por desequilibrar as campanhas e distorcer a
representatividade dos políticos, sobretudo no Poder Legislativo. Nenhum
centavo de empresas, portanto, poderá compor os recursos utilizados nas
campanhas.
O Ministério Público Estadual de São Paulo poderia investigar se, por
intermédio da Sabesp, o governador tucano estaria repetindo em São
Paulo, o que fez a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) quando o estado era governado por Eduardo Azeredo (PSDB), com o mensalão tucano.
Em 1998, Azeredo usou a Cemig e outros órgãos do estado para
patrocinar eventos através de empresas e agências do publicitário Marcos
Valério, como SMP&B e DNA Propaganda, com objetivo de desviar
verbas das estatais para financiar campanhas políticas, conforme
denúncia do procurador-geral da República, no episódio que ficou
conhecido como mensalão tucano – e que até hoje não foi julgado pelo STF
nem alardeado pela imprensa.
Sem investigação do Ministério Público, a impressão que fica é que a
propaganda da Sabesp tem potencial para funcionar como meio de injetar dinheiro em agências
de publicidade (que recebem polpudas comissões por anúncios veiculados)
e caixa 2 de campanhas eleitorais. E, de quebra, servir para financiar
veículos de comunicação e "estimular" a produção de noticiário
favorável.
Ou seja: oficialmente a Sabesp paga para fazer propaganda da empresa,
irrigando agências de publicidade e marqueteiros com verbas do cofre
público.
Nos bastidores, valores podem ser combinados com agências de
publicidade, de forma a fechar um pacote, que inclui os serviços dos
marqueteiros para a próxima campanha eleitoral, repasse de dinheiro para
caixinhas de campanhas de outros candidatos e coisas do gênero.
Contabilmente, nas aparências, ficaria tudo dentro da lei. Mas nos
bastidores pode haver um monstruoso esquema de corrupção, desviando
dinheiro público de estatais para financiar campanhas, empresas privadas
de mídia e comunicação, pagamento a institutos de pesquisa de opinião, e
de todo o staff que faz serviços em torno das campanhas
eleitorais – inclusive contribuir com enriquecimento ilícito daqueles
que desviam dinheiro da campanha para o próprio bolso.
Relações entre agências, suas subcontratadas e o governo
No ano passado, notícias foram veiculadas pela imprensa, sobre
serviços de natureza político-partidária custeados pelo governo de São
Paulo, via agências de publicidade que atendem ao governo Alckmin, e
prestados por empresas subcontratadas, como os pagamentos feitos a um
blogueiro, responsável por um site conhecido por divulgar material
antipetista na rede.
O blogueiro é sócio-fundador de uma empresa subcontratada... Na
época, o líder da bancada do PT na Assembleia Legislativa, deputado
Geraldo Cruz, protocolou requerimento solicitando ao diretor-presidente
da Sabesp, Jerson Kelman, a lista de todos os contratados e
subcontratados pela empresa para prestação de serviços de publicidade,
propaganda, marketing e divulgação. O pedido não andou. E as relações
entre as agências, suas subcontratadas e o governo tucano do estado
ficaram sem apuração.
Tudo isso poderia ser mera suspeita infundada, mas os indícios de
cheiro de esgoto exalado na relação da Sabesp com a mídia podem aumentar
à medida que se conhecer em detalhes quem está envolvido.
Fonte:RedeBrasil Atual
Acusada de integrar um cartel e de pagar propina a agentes
políticos em governos do PSDB, a multinacional francesa Alstom teve
perdoadas dívidas que somam R$ 116 milhões pelo governo de Geraldo
Alckmin (PSDB); benção foi dada em acordo entre o governo e a empresa em
um contrato com o Metrô que previa aquisição de um sistema digital para
diminuir o intervalo entre os trens, de modo a agilizar o transporte
dos passageiros; sistema foi contratado em 2008, no governo de José
Serra (PSDB), atual ministro de Relações Exteriores, por R$ 780
milhões; governo também Alckmin aceitou que o sistema seja entregue
até 2021, com dez anos de atraso
SP 247 - O governador Geraldo Alckmin (PSDB) fez um
acordo com a multinacional francesa Alstom pelo qual perdoou dívidas que
chegam a R$ 116 milhões. A Alstom é acusada pelo Ministério Público de integrar um cartel de empresas para fraudar licitações do metrô e trens.
O acordo foi assinado pelo Metrô em janeiro deste ano em um contrato
que já tem perdas de mais de R$ 300 milhões, num momento em que o Metrô
passa por grave crise financeira.
O produto do contrato é a aquisição de um sistema digital que visa
diminuir o intervalo entre os trens, de modo a agilizar o transporte dos
passageiros, reduzir a superlotação e aumentar o número de usuários. É
conhecido nos meios técnicos como CTBC (Controle de Trens Baseado em
Comunicação). O sistema foi contratado em 2008, no governo de José Serra
(PSDB), por R$ 780 milhões, para melhorar a eficiência das linhas
1-azul, 2-verde e 3-vermelha.
O acordo foi fechado em uma câmara arbitral, sistema que substitui a
Justiça e é recomendado pelo Banco Mundial, por gerar decisões mais
rápidas. A Procuradoria-Geral do Estado (PGE), órgão de defesa do
Executivo, representou o governo Alckmin. O Metrô defendia que os
atrasos provocaram perdas de R$ 289,1 milhões para a companhia. Já a
Alstom argumentava que os atrasos e a exigência de novas funções
aumentara o valor do contrato em R$ 173,1 milhões. Em agosto do ano
passado, as empresas pediram a suspensão da arbitragem porque discutiam
um acordo, que acabou homologado em 27 de janeiro deste ano.
O caso do sistema de controle digital também foi levado pelo Metrô ao
Tribunal de Contas do Estado, que atualmente analisa o contrato. Em
manifestação protocolada no tribunal em junho do ano passado, o Metrô
alegou que teve perdas de R$ 315 milhões -R$ 26 milhões a mais em
relação ao montante apresentado na arbitragem. Só com a receita perdida
com a "demanda de usuários reprimida e prejuízo decorrente de trens
parados" a companhia afirmou ter verificado um prejuízo de R$ 307,7
milhões.
Leia mais na reportagem de Mário Cesar Carvalho e Mário Ferreira.
Secretário particular de Alckmin entre 2013 e 2014, Ricardo Salles,
fundador do movimento Endireita Brasil, tomou posse no Meio Ambiente
nesta segunda (18), após o seu partido, o PP, ter aderido à
pré-candidatura de João Doria (PSDB) à Prefeitura de São Paulo; ele diz
ter sido "mal interpretado" ao questionar crimes cometidos por militares
na ditadura, mas argumenta que, no Brasil, prevalece uma versão, a da
esquerda: "Os militares fizeram coisa errada? Fizeram, não tenho dúvida.
A guerrilha também fez"
247 - O governador Geraldo Alckmin (PSDB) trouxe de
volta à gestão o fundador do movimento Endireita Brasil, Ricardo Salles,
que já defendeu ditadura militar.
Secretário particular de Alckmin entre 2013 e 2014, Salles tomou
posse no Meio Ambiente nesta segunda (18), após o seu partido, o PP, ter
aderido à pré-candidatura de João Doria (PSDB) à Prefeitura de São
Paulo.
Ele diz ter sido "mal interpretado" ao questionar crimes cometidos
por militares na ditadura, mas argumenta que, no Brasil, prevalece uma
versão, a da esquerda. "Os militares fizeram coisa errada? Fizeram, não
tenho dúvida. A guerrilha também fez", afirmou, em entrevista à “Folha
de S. Paulo”.
"Alguns fatos precisam ser imputados à direita e alguns à esquerda.
Isso não anula o passado, mas esclarece o que hoje está meio esquisito,
mal explicado", defendeu (leia aqui).
SÃO PAULO - A gestão atual do governador Geraldo Alckmin (PSDB) gastou
menos com os programas de aperfeiçoamento de professores do Estado.
Entre 2012 e 2015, o recurso destinado ao treinamento dos docentes caiu
67,8%. Em 2012, foram destinados aos cursos R$ 86,9 milhões, em valores
corrigidos pela inflação do IPCA até dezembro, ante R$ 28,9 milhões em
2015. No mesmo período, o total de gastos (liquidado) de toda a pasta
subiu 5,7% - de R$ 28,03 bilhões para R$ 29,6 bilhões.
Com a redução, o número de inscrições também caiu. Eram 104,6 mil
professores atendidos em 2012, ante 77,2 mil em 2015, queda de 26,2%. Em
2013, a rede chegou a ter 198 mil docentes participando de algum tipo
de treinamento.
Todas as modalidades de curso perderam alunos. O ensino a distância
(EAD), que responde pela maioria das inscrições, também teve queda. Em
2012, eram 73,2 mil vagas, número que avança para 164,5 mil em 2013 e
155,9 mil em 2014. Já em 2015, só 47,8 mil inscrições foram feitas. Os
dados foram obtidos pelo Estado por meio da Lei de Acesso à Informação.
A coordenadora da Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Professores
do Estado (Efap), Valéria de Souza, admite que a crise econômica afetou o
orçamento para os cursos, mas diz que o momento é de readaptação.
Cursos que eram semipresenciais passaram a ser EAD, por exemplo. Ela
disse ainda que não faltam vagas e que, em um período de três anos,
todos os servidores da rede podem fazer ao menos um curso.
Um dos programas mais procurados e agora descontinuado no Estado é o
Rede São Paulo de Formação de Docente (Redefor), feito em parceria com
as três universidades estaduais paulistas - a Universidade de São Paulo
(USP), a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade
Estadual de Campinas (Unicamp).
Entre 2010 e 2012, ao menos 25 mil docentes se inscreveram nos cursos de
especialização oferecidos, que vão de aperfeiçoamento no ensino de suas
disciplinas à educação inclusiva. Hoje, só a Unesp ainda mantém um
grupo, com aulas semipresenciais para 1.600 alunos.
“A avaliação dos professores que fizeram o curso sempre foi muito boa,
mas não foi possível a continuidade”, disse a coordenadora da Redefor na
Unesp, Elisa Tomoe Moriya Schlünzen. De acordo com ela, professores da
rede ainda procuram o programa. “A demanda é de pelo menos 17 mil
alunos.” O custo, segundo ela, é de R$ 270 mensais por pessoa e a
duração do curso é de dois anos.
Foto: GABRIELA BILO / ESTADAO
Claudia Anuatti fez o curso de educação especial na perspectiva da educação inclusiva
Especial. A
professora e coordenadora Claudia Anuatti, de 50 anos, fez o curso de
educação especial na perspectiva da educação inclusiva e elogia o
programa. “Ensinam toda a legislação voltada aos alunos com algum tipo
de necessidade especial.” Na escola em que trabalha há 20 crianças com
algum tipo de deficiência.
“O curso foi fundamental. Faço adaptações curriculares e dou orientações
aos professores. Faz falta no dia a dia. É uma pena que haja poucas
vagas”, diz. A professora também cita que hoje não estão mais
disponíveis outros cursos, como o de inglês EAD (71 mil inscritos em
2013) e libras (20,3 mil inscritos em 2013).
A professora Regina Lúcia Moura, de 46 anos, entrou na rede estadual há
dois e faz o curso para ingressantes na rede, a distância. O curso, diz
ela, fala sobre o currículo do Estado e a forma como o material deve ser
usado pelos alunos.
“Para quem leciona há mais tempo, não tem novidade. Mas, para quem está
começando, ajuda muito. Se você espera aprender só na faculdade o que
fazer na sala de aula, está perdido.”
Interesse.
A pesquisa Conselho de Classe, feita em 2015 pela Fundação Lemann com
professores de todo o País, mostrou que os programas de formação
continuada docente são os mais citados quando questionados sobre o que
fazer para melhorar a educação.
Em um universo de 1,9 mil professores, a estratégia é mencionada por 17%
dos entrevistados como a principal medida, seguida por aumento no piso
salarial (14%) e melhoria na carreira (10%).
O levantamento aponta ainda que, no último ano, sete em cada dez
professores participaram de algum programa de formação, mas só menos da
metade dos entrevistados teve o valor do curso custeado pelos governos.
Para o economista Ernesto Martins Faria, coordenador de Projetos da
Fundação Lemann, uma das maiores preocupações do professor hoje é
entender como ele realmente pode garantir a aprendizagem dos alunos.
“Ele acaba vendo a formação complementar como algo importante para ficar
mais seguro do que está quando sai da faculdade”, afirma.
Uma das maiores dificuldades nessa área, diz o pesquisador, é superar as
lacunas dos cursos de licenciatura, que em muitos casos têm pouco
diálogo com a prática na sala de aula.
“O professor alfabetizador, por exemplo, conheceu a teoria, mas não
aprendeu como lidar com as crianças na pedagogia. Falta conhecimento de
gestão de sala de aula. Os cursos de licenciatura poderiam ser mais
práticos e trazer mais clareza quanto aos desafios que o professor vai
enfrentar em sua profissão”, diz.
Nove pessoas, entre elas o atual secretário de Transportes
Metropolitanos de São Paulo, Clodoaldo Pelissioni, foram denunciados
pelo Ministério Público por improbidade administrativa pela compra de 26
trens novos do grupo CAF, que estão parados, sem uso.; Pelissioni foi
denunciado por ter ocupado a presidência da companhia entre março e
setembro do ano passado; também foi denunciado o atual presidente do
Metrô, Paulo Menezes Figueiredo.
Do 247 Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil
Nove pessoas, entre elas o atual secretário de Transportes
Metropolitanos de São Paulo, Clodoaldo Pelissioni, foram denunciados
pelo Ministério Público estadual por improbidade administrativa pela
compra de 26 trens novos do grupo CAF, que estão parados, sem uso. A
ação civil pública foi apresentada à Justiça pelo promotor Marcelo
Milani na última sexta-feira (8) e divulgada hoje (11). Pelissioni foi
denunciado por ter ocupado a presidência da companhia entre março e
setembro do ano passado. Também foi denunciado o atual presidente do
Metrô, Paulo Menezes Figueiredo.
Segundo o promotor, os 26 trens foram adquiridos em 2011 por R$ 615
milhões para operar na Linha 5-Lilás do Metrô de São Paulo, que já está
parte em funcionamento, mas com diversas estações ainda em obras. Do
total de trens comprados da CAF, 16 foram entregues, mas estão
estacionados, sem funcionamento, espalhados em três pátios na cidade de
São Paulo. Os demais, que também estão prontos, aguardam um local para
ser guardados.
Esses trens, de acordo com Milani, não podem operar nas demais linhas
por uma diferença no tamanho das bitolas [distância entre os trilhos].
As composições foram feitas especialmente para operar na Linha 5-Lilás,
com as medidas adequadas para passagem nesta linha.
Para o promotor, outro problema é que os contratos foram assinados em
julho de 2011, quando as obras na Linha 5 estavam paradas e o governo
já tinha determinado a paralisação das licitações após denúncias de
irregularidades no processo. “O contrato foi assinado com a obra
paralisada pelo próprio governo do estado. O governo constatou fraude na
licitação das obras civis de engenharia e paralisou a obra. Mesmo com a
obra paralisada, eles compraram os trens. Não era o momento adequado
para comprar os trens.”
O fato dos trens terem sido adquiridos e não estarem em operação
causa “profunda revolta e indignação”, afirmou o promotor que, por isso,
decidiu entrar com ação civil pública para responsabilizar diretores do
Metrô e secretários estaduais responsáveis pela compra dos trens, que
os deixaram inoperantes.
“Queremos saber qual o prejuízo, que tipo de prejuízo foi causado
pela não utilização do trem. Toda a eletrônica e o sistema de
funcionamento do trem estarão perdidos. Todo esse sistema que está sendo
implantado no Metrô é moderno e feito via computador, via satélite. Se
você for a uma loja comprar um computador hoje, ele será diferente daqui
um ou dois anos. E foi o que o Metrô comprou. Ele comprou ou instalou
isso e não está nem podendo fazer testes”, explicou o promotor. Milani
ressaltou que, parados, os trens estão perdendo inclusive a garantia e
ainda provocarão um prejuízo com a manutenção.
Na ação civil pública, ele pede a devolução do dinheiro aplicado na
compra dos trens e aplicação de multa por dano moral aos repsonsáveis.
“O pedido na ação envolve também dano moral. O pedido final é de R$ 799
milhões”, disse o promotor.
Linha 5-Lilás
A Linha 5-Lilás, ainda em obras, liga as estações Capão Redondo e
Adolfo Pinheiro e não tem ligação com as demais linhas do Metrô. Liga-se
apenas à Linha 9-Esmeralda da Companhia Paulista de Trens
Metropolitanos (CPTM). Hoje a Linha 5-Lilás tem sete estações, mas a
previsão é que, quando concluída, passe a operar com 17 estações, com
ligações para as Linhas 2-Verde e 1-Azul do Metrô e a futura Linha
17-Ouro na Estação Campo Belo.
Outro lado
Em nota, o Metrô informou que prestará todos os esclarecimentos ao
Ministério Público. A companhia disse que ainda não teve conhecimento
oficial da ação, mas destacou que a peça jurídica contém uma “série de
equívocos”.
“Não é verdade que os trens estejam parados. Os 26 novos trens
adquiridos para a expansão de 11,5 quilômetros [km] da Linha 5 estão
sendo entregues e passam por testes, verificações e protocolos de
desempenho e de segurança”, diz o texto. Segundo a companhia, dos 17
trens que foram entregues, oito estão aptos para operar a partir de
setembro no trecho entre as estações Capão Redondo e Adolfo Pinheiro. O
Metrô também negou que as bitolas da Linha 5 sejam diferentes nos
trechos da linha ou que tenha gastos extras com a manutenção desses
trens.
Já a CAF, que não é objetivo da ação, disse que não “comenta
contratos em andamento em razão das cláusulas de confidencialidade”.
Reajuste passa a valer nas primeiras horas desta sexta; descer a serra fica vai custar R$ 25,20
Pedágios serão reajustados em 9,32% já nesta sexta-feira. Foto: Andris Bovo
A Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo) autorizou
nesta quarta-feira (29/06) o aumento nas tarifas de pedágio em todo o
Estado. Para quem precisar descer ao Litoral paulista já na sexta-feira
(1º/07), o valor de cobrança para carros de passeio será de R$ 25,20 –
diferença de R$ 2,20 dos atuais R$ 23.
Conforme a agência estadual, a correção em todas as tarifas será de
9,32%. “O reajuste anual é baseado no IPC-A acumulado dos últimos 12
meses, de acordo com o estipulado nos contratos de concessão”, informou a
Artesp em nota.
O valor de R$ 25,20 será cobrado nas praças de pedágio a Ecovias na
Anchieta, na altura do Riacho Grande, e na rodovia Imigrantes. Nos dois
acessos a Diadema, nas alturas dos quilômetros 15 e 20, os valores serão
de R$ 1,80 e R$ 3,40 reais. Em São Bernardo, no guichê para o acesso ao
bairro Batistini, a cobrança será de R$ 5,80.
No trecho Sul do Rodoanel Mário Covas, os valores de pedágio serão de
R$ 3,20. Enquanto isso, no trecho Leste, a tarifa será de R$ 2,40.