DESPREZO PELA EDUCAÇÃO
PL 328/2016, que autoriza venda de terrenos públicos, vai tirar áreas de
quatro escolas técnicas rurais e duas Fatecs; sindicato de servidores
prevê extinção de laboratórios de prática agrícola
por Cida de Oliveira publicado 18/08/2016 08:14
JOSÉ GUSTAVO VIEIRA/FACEBOOK

ETEC Antonio Eufrásio de Toledo, em Presidente Prudente: projeto é vender parte de seu terreno
São Paulo – Quatro escolas técnicas rurais e duas faculdades de
Tecnologia vinculadas ao Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula
Souza (Ceeteps), de São Paulo, estão ameaçadas pelo Projeto de Lei
328/2016, de autoria do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Enviado à
Assembleia Legislativa em abril, onde tramita em caráter de urgência, o
PL autoriza a venda de 79 imóveis pertencentes ao estado espalhados por
diversos municípios. Estão na mira as ETECs Cônego José Bento (Jacareí),
Benedito Storani (Jundiaí), Prof. Dr. Antônio Eufrásio Toledo
(Presidente Prudente), Dr. Carolino da Motta e Silva (Espírito Santo do
Pinhal), a Fatec Jacareí e o campus II da Fatec de São José do Rio
Preto.
A
justificativa do governador para vender as unidades é enfrentar a crise
financeira e fazer caixa para o orçamento do estado. O governo espera
arrecadar R$ 1,4 milhão, valor 83 vezes menor que o da dívida de cerca
de R$ 116 milhões da Alstom no contrato para instalação de sistema de
controle de trens, perdoada por Alckmin. O acordo deverá ser investigado
pelo Ministério Público Estadual paulista. A Alstom é uma das empresas
do cartel do metrô.
A preocupação é grande no Sindicato dos Trabalhadores do Ceeteps (Sinteps). "Sabemos
que as escolas vão ter prejuízos. Não serão vendidos os terrenos onde
estão construídas, mas como ficará uma escola agrícola com seu espaço
reduzido? Como ensinar disciplinas como manejo agrícola sem o campo
necessário? Como fazer boa prática pedagógica?", questiona a presidenta
do sindicato, Silvia Elena de Lima.
O PL,
segundo ela, é mais uma demonstração do desprezo do governo Alckmin
pela educação pública e pela pesquisa, além de "mais um ataque
privatista às escolas técnicas agrícolas, que sempre foram motivo de
cobiça. A unidade de Presidente Prudente tem uma área imensa, com grande
valor econômico".
Pesquisadores, profissionais de apoio, estudantes e representantes de sindicatos e de pequenos produtores rurais são esperados hoje (19) para audiência pública às 15 h, no auditório Paulo Kobayashi, na Assembleia Legislativa. Prevista na legislação estadual, a consulta à sociedade, porém, foi publicada ontem pelo presidente do Legislativo, Fernando Capez (PSDB).
Os ataques às unidades, conforme destaca a dirigente, são tão antigos
quanto os governos tucanos em São Paulo, que sucedem um ao outro desde
1995, com a primeira gestão de Mário Covas. "A diretoria empossada pelo
governo, que demitiu o diretor do Centro Paula Souza eleito
democraticamente pela comunidade, logo montou um setor imobiliário na
autarquia. Apuraram então que os terrenos geralmente foram doados por
famílias ricas às escolas, e não ao estado. Perceberam então que teriam
problemas na Justiça e adiaram um pouco os planos", diz Silvia.
Silvia conta que diversas vezes foi aventada a intenção do governo de
arrendar as áreas que excedem a um tamanho padrão quando não puder
vender. "Não falam nesse tamanho padrão, mas sabemos que o arrendamento
seria um plano B".
Para ela, o recuo do governo sempre se deu não pelas manifestações contrárias da comunidade, mas por entraves jurídicos.
Dos 97 terrenos listados pelo PL de Alckmin, grande parte corresponde a
fazendas experimentais dedicadas à pesquisa agropecuária, principalmente
voltada aos pequenos produtores rurais.
No entanto, a ameaça é ainda maior. Um dos artigos do projeto permite ao
governo vender quaisquer áreas com até 5 mil metros quadrados sem a
necessidade de nova lei ou autorização do Legislativo paulista.
Do RedeBrasil Atual via searadionaotoca


